Autoavaliação

A iniciativa de implantação da autoavaliação do Programa de Pós-Graduação em Ciências Naturais (PPGCN) surgiu a partir das reflexões coletivas sobre a necessidade de consolidar uma cultura de gestão sustentada pelo planejamento participativo. Nesse sentido, fez-se imprescindível construir um autoconhecimento sobre o Programa, as ações que estão sendo desenvolvidas, buscando os pontos positivos, as fragilidades e as proposições para melhorias, a partir das opiniões dos docentes, mestrandos, doutorandos, egressos, funcionários e gestores que compõem o quadro de pessoal. Cumprindo o preceito de que o autoconhecimento deve ser construído a partir da autoavaliação participativa

Nesse contexto, a implantação da autoavaliação no PPGCN proporciona a busca da qualidade da produção do conhecimento que se efetiva nos espaços dos projetos, grupos e redes de pesquisas, bem como, nas atividades desenvolvidas no ensino e suas relações com a pesquisa e a extensão. Avaliar é promover reflexões sobre “quem somos” e “quem seremos” frente aos desafios que a sociedade nos apresenta. Nesse sentido, é premente consolidar uma gestão participativa sintonizada com as demandas da comunidade acadêmica. O processo de avaliação se integra e se sustenta pelas perspectivas teóricometodológicas do Programa de acordo com o APCN-2013 que compõe o Projeto Pedagógico do Programa de Pós-Graduação em Ciências Naturais (inicialmente para o Curso de Mestrado). Assim, essa proposta de avaliação tem como parâmetro o Plano de Autoavaliação, levando em consideração a Política da CAPES para a Pós-Graduação e, como princípio norteador, a democracia participativa.

Os resultados desse processo de avaliação subsidiam o planejamento estratégico do Programa e a constante busca pela qualidade. A concepção de qualidade que sustenta esta proposta está referenciada na perspectiva da negociação e não na perspectiva mercadológica. A qualidade é de natureza transacional, participativa, dialética, contextual, plural, processual e transformadora. Almejamos a qualidade é transação, isto é, debate entre indivíduos e grupos que têm um interesse em relação ao programa e responsabilidade para com ele e trabalham para explicitar e definir metas e objetivos.

Não existe, portanto, qualidade sem participação. A qualidade negociada significa entender que cada ator no processo tem uma concepção de qualidade, o mais importante é negociar pontos de vistas diferentes. Significa reconhecer a natureza ideológica, e valorativa e considerar o embate entre pontos de vistas, idéias e interesses como um recurso, uma estratégia para proposições e não uma imposição.

A nossa pós-graduação, nesta perspectiva, está comprometida com a transformação social, com a humanização da sociedade e tem como prioridade os princípios éticos, sem deixar de trabalhar com os princípios técnicos. A ciência, a técnica e a ética se integram na busca de produzir conhecimento que contribua para a humanização e construção de uma sociedade justa.

A avaliação é um processo em constante construção, que evita comparações competitivas e não deve constituir ranking de professores, alunos e nem comparações com outros programas

Os resultados da avaliação permitem o conhecimento e discussão da realidade e a implementação de ações que visem melhorar as atividades que estão sendo desenvolvidas. O processo avaliativo está sendo gestado e construído junto à comunidade acadêmica, garantindo co-participação e co-responsabilidade de todos no processo. Temos em mente que dos resultados por si só não emergirão mudanças, mas a possibilidade de discuti-los em conjunto buscando alternativas e compromisso de todos.

O processo técnico-metodológico está sustentado na abordagem quanti e qualitativa, porém a ênfase é na abordagem qualitativa, buscando os sentidos e os significados para os dados coletados. Os resultados são considerados para as tomadas de decisões e para implementações das ações e replanejamento das atividades. A partir dessas concepções podemos dizer que os princípios fundamentais da avaliação são: ética, transparência, justiça, democracia, participação, não punição, não premiação e o respeito à identidade do Programa.

A autoavaliação, aplicada em 2020, foi um exercício importante que ajudou a identificar os pontos fortes e frágeis do PPGCN, permitindo uma discussão mais aprofundada, bem como chegar a um denominador comum que deve ser usado como guia para um plano estratégico para o crescimento do Programa. A adoção dessa prática, proporciona ao PPGCN fazer uma autoanálise de pontos que devem ser melhorados e consolidados, ajudando o programa a formar profissionais mais bem qualificados, contribuindo com o desenvolvimento sustentável do País.

O sucesso da sensibilização dos participantes do Programa e Egressos, na participação no processo de autoavaliação, é resultado de um processo continuado, o qual foram feitos esforços pelas Comissão de Avaliação e pela Coordenação em explicar a finalidade e que pontos benéficos resultariam da autoavaliação.

Pontos fortes

Infraestrutura
A comunidade, de certa forma concorda com a avaliação realizada pela Coordenação da Área da CAPES e considerou como pontos fortes as condições de infraestrutura para ensino, pesquisa e extensão, além da captação de recursos para a manutenção e modernização do parque tecnológico. O bom relacionamento entre docentes das diferentes Linhas de Pesquisa permite a realização de trabalhos em colaboração e inovações metodológicas frequentes, gerando produções relevantes para a nossa área de conhecimento. Além disso, é crescente o desenvolvimento de colaborações interinstitucionais, apresentadas detalhadamente nas abas Intercâmbios e Internacionalização. Os Projetos desenvolvidos em colaboração com a Química, as Engenharias, a Biologia, a Geografia, a Física, buscando o desenvolvimento de (bio)produtos e (bio)processos avaliados nos modelos in vitro, in situ, in vivo e clinicamente, têm atraído as agências de fomento à pesquisa bem como impulsionando um crescente interesse de empresas para a pós-graduação. Esta nova modalidade de fomento foi consolidada recentemente e beneficiam todas ambas as linhas de pesquisa do programa, sem comprometer o erário público.

Integração com a Graduação
Um dos diferenciais da Universidade Estadual do Ceará é a proximidade entre o corpo docente e discente. Esta característica, observada desde a graduação, foi acentuada pela presença contínua dos pós-graduandos nas atividades de IC, bem como no acompanhamento de algumas atividades da graduação. Este fato tem gerado um ambiente de trabalho extremamente saudável, onde ambas as partes são beneficiadas. Destaca-se também uma quantidade expressiva de alunos que iniciam suas atividades de IC na graduação e permanecem como discentes da pós-graduação, apresentando maior desenvoltura nas atividades científicas e laboratoriais; pode-se observar um número expressivo de bolsas de IC obtidas por docentes do programa, bem como apresentações em eventos e publicações contanto com graduandos, pós-graduandos e docentes do programa.

Interface com a Educação Básica
Diversos docentes e discentes do PPGCN estão engajados com projetos amplos que objetivam prioritariamente a melhoria do ensino básico da região, bem como da promoção social e divulgação da ciência. Os projetos envolvendo nosso corpo docente com coordenadores pedagógicos do ensino básico foram multiplicados, fazendo com que o \estudante se transformasse em difusor do conhecimento junto ao seu núcleo familiar e à sociedade.

Inserção social
Cada vez mais, docentes e discentes do programa se envolvem fortemente com a sociedade, gerando impacto social positivo, esclarecendo-a, prestando assistência e colaborando para a melhoria do ensino médio e técnico, através dos programas de extensão (descritos na aba 3.2 – Impacto Econômico, Social e Cultural). A pluralidade destas ações reforça a formação humanista dos discentes, desenvolvendo uma visão holística e solidária aos problemas sociais da população. Estas iniciativas, além de atualizar o conhecimento de educadores, orientam monitores, que multiplicam as informações e esclarecem a população. Destacamos ainda o número expressivo de egressos do Programa atualmente desenvolvendo atividades em Universidades Públicas e Privadas, participando em Programas de Pós-Graduação, Grupos de Pesquisa e na prestação de serviço qualificado à população (descritos na aba 2.3 – Destino, Atuação e Avaliação dos Egressos).

Produção intelectual
Os critérios de credenciamento/descredenciamento do corpo docente, os pré-requisitos para qualificação e defesa e a análise de mérito para a distribuição das bolsas estimularam a melhora da qualidade das publicações científicas do Programa, deslocando-as gradualmente aos estratos mais altos.

Captação de recursos
Cada vez mais, docentes e discentes estão incentivados a captar recursos de agências de fomento e empresas nacionais e internacionais, de forma que seja possível a realização de pesquisas científicas de alta qualidade.

Visibilidade
Disponibilização de informações no site em outras línguas, além da utilização mais intensa das redes sociais e divulgação do Programa em outras instituições de ensino são estratégias utilizadas para aumentar a visibilidade do Programa (descritos na aba 3.3 – Internacionalização, Inserção e Visibilidade).

Internacionalização
Atentos às recomendações da Coordenação da Área, os docentes do programa responderam positivamente ao envolvimento em atividades de internacionalização, por meio da participação no Programa de Internacionalização da UECE (CAPES PrInt), cooperações e visitas de docentes em instituições no exterior e recebimento de docentes e discentes na Embrapa e UECE (descritos na aba 3.3 – Internacionalização, Inserção e Visibilidade).

Em quais pontos o Programa pode melhorar

Apesar do aumento contínuo da quantidade e da qualidade da produção do programa vivenciada nos últimos anos, ainda consideramos que a distribuição da produção intelectual docente qualificada possa ser mais homogênea entre as linhas de pesquisa e entre os docentes que compõem o Programa;

Diante da crise financeira dos últimos anos, inclusive devido às novas regras de solicitação de fomento à FUNCAP, consideramos oportuno o aumento das parcerias com a iniciativa privada no fomento de pesquisas. As ações junto à estas empresas têm se concretizado, resultando em projetos aplicados diretamente aos interesses do profissional e do aperfeiçoamento das parcerias. Com isso, poderemos continuar a curva crescente de produção científica qualificada vivenciada nos últimos anos;

As atividades de orientação entre os docentes permanentes ainda não estão uniformemente distribuídas entre as Linhas de Pesquisa que compõem o Programa, porém os docentes foram orientados para a importância deste tópico;

As ações para internacionalizar o Programa são contínuas, mas o processo deverá ser estimulado, com a realização de doutorados e pós-doutorados sanduiche, a ida de discentes e docentes para o exterior, além das esperadas co-cutelas. Neste sentido, a partir do Projeto de Internacionalização da UECE (Projeto CAPES PrInt), várias ações estão em andamento. Além disso, o oferecimento de disciplina em inglês deverá ser mantido e estimulado;

Há alguns poucos docentes que estão na iminência de se aposentar. Este quadro e a falta de reposição dos docentes e de funcionários torna obscuro o futuro da Universidade e, consequentemente, da pós-graduação;

Com o aumento dos cursos de Pós-graduação e pela baixa da remuneração aos profissionais que se dedicam à docência e à pesquisa, nota-se nos últimos anos uma redução gradual pela procura pelo Curso;

O Programa também avalia o próprio corpo docente, estimulando a sua capacitação e crescimento no programa. Além das análises anuais realizadas pela coordenação, na metade do quadriênio planilhamos e analisamos a produção científica e o envolvimento de cada docente, sendo discutidos com os pares os realinhamentos necessários para atender os objetivos do programa, bem como valorizando as eventuais dificuldades que o docente ou a linha de pesquisa estejam passando. A análise é baseada em nossos novos critérios de credenciamento, que contemplam não somente a produção de artigos, mas o envolvimento do docente nas ações de inserção social, internacionalização, captação de recursos etc.